11ª Assembleia Geral da APOINME reafirma a força indígena nas decisões sobre o futuro do país
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Ocupar a política também é defender nossos territórios. Essa compreensão atravessou os debates da 11ª Assembleia Geral da APOINME, realizada na Aldeia Nazaré, no Piauí, território dos povos Tabajara e Tapuio-Itamaraty. Ali, nossos povos e organizações do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, reafirmaram o compromisso de fortalecer a Campanha Indígena 2026, construída pela APIB junto com suas organizações regionais de base. Como parte dessa construção, nós da APOINME seguimos fazendo da Campanha Indígena uma estratégia coletiva, fortalecida durante o calendário eleitoral e para além dele. As eleições são uma etapa de uma caminhada política permanente, construída todos os dias pelas organizações e pelos povos em seus territórios.
É nesse caminho que a Campanha Indígena apresenta ao Brasil o Nosso Território, Nossa Vida, projeto de país construído pelo movimento indígena a partir das experiências e propostas dos povos. Esse projeto orienta nossa participação nas eleições e nosso diálogo com candidaturas indígenas e aliadas. Queremos levar para os espaços de decisão uma visão de futuro comprometida com a demarcação dos territórios e com os direitos coletivos, fortalecendo uma democracia construída com participação indígena.
Os posicionamentos apresentados neste manifesto foram construídos durante os debates da Assembleia, com a participação das lideranças e das microrregionais que formam a APOINME. Esse processo expressa nossa forma de exercer a democracia e reafirma o papel da Assembleia como espaço de decisão política dos nossos povos. A eleição de uma nova coordenação faz parte desse encontro. A Assembleia também fortalece nossa unidade e orienta os caminhos da organização para os próximos anos. A APOINME assume o compromisso de ampliar cada vez mais a participação das bases na definição das posições políticas e das estratégias do movimento indígena do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo.
1. Afirmamos nosso apoio político à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026. Essa posição foi expressa durante os debates da Assembleia e parte do reconhecimento dos avanços conquistados pelos povos indígenas durante seu governo. Nosso apoio também reafirma a necessidade de ampliar essas conquistas no próximo ciclo e fortalecer a participação política dos povos indígenas nas decisões sobre os rumos do Brasil. Como foi afirmado durante o Acampamento Terra Livre 2026, em Brasília, esse é um apoio construído a partir da compreensão dos projetos que estão em disputa e dos compromissos que cobraremos para fazer avançar os direitos dos povos indígenas. Não se trata apenas de um apoio cego.
a. Cobramos que o próximo novo novo ciclo acelere as demarcações e fortaleça as políticas indígenas, com ampliação dos orçamentos e da capacidade de atuação de órgãos como o Ministério dos Povos Indígenas, a Funai e a SESAI. Também queremos ampliar a participação dos povos nas decisões que afetam nossos territórios.
b. Reivindicamos participar, junto com a APIB e suas organizações regionais, dos diálogos sobre a indicação das pessoas que ocuparão funções relacionadas às políticas indígenas no próximo ciclo do Governo Federal. Queremos contribuir com a definição das equipes da Funai, da SESAI, do Ministério dos Povos Indígenas e de outros órgãos que atuam diretamente com nossos povos. As pessoas que assumem essas responsabilidades precisam conhecer os territórios e manter relação permanente com as organizações indígenas. A presença indígena dentro do Estado deve fortalecer a participação dos povos nas decisões. A experiência acumulada pelo movimento precisa ter espaço na construção das políticas públicas e na definição das prioridades do governo. Essa reivindicação retoma um posicionamento que a própria APOINME já apresentou em sua 10ª Assembleia, quando defendeu participação direta do movimento na construção da política indigenista federal.
2. Queremos ampliar a presença indígena no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas. A APOINME reforça seu compromisso de apoiar politicamente as indicações feitas para a Bancada Indígena 2026, da Campanha Indígena, com oito candidaturas da nossa área de abrangência, distribuídas em cinco estados.
*lista em ordem alfabética
Célia Xakriabá, candidata a deputada federal por Minas Gerais
Jocelino Tupinikim, candidato a deputado estadual pelo Espírito Santo
Kâhu Pataxó, candidato a deputado estadual pela Bahia
Marcelo Pankararu, candidato a segundo suplente ao Senado por Pernambuco
Monika Marapara, candidata a deputada federal pela Bahia
Shirley Krenak, candidata a deputada estadual por Minas Gerais
Tukumã Pataxó, candidato a deputado federal pela Bahia
Weibe Tapeba, candidato a deputado federal pelo Ceará
3. Nós da APOINME cobramos dos partidos e federações o cumprimento das regras definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral para as eleições de 2026. As normas do TSE estabelecem a destinação proporcional de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário às candidaturas indígenas. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão também deve reservar tempo proporcional às candidaturas indígenas registradas pelos partidos e federações.
a. Queremos que esses recursos cheguem às candidaturas indígenas em condições que permitam organizar suas campanhas e dialogar com a sociedade. Também cobramos a atuação permanente do Ministério Público Eleitoral na fiscalização do cumprimento dessas regras.
Construir força política para além de 2026
Nosso entendimento é de que a Campanha Indígena é uma estratégia coletiva que fortalece a presença dos povos na política e amplia sua capacidade de disputar os rumos do país. As discussões da nossa Assembleia apontaram a importância de transformar essa experiência em um processo permanente de formação política e eleitoral, preparando novas candidaturas e fortalecendo a compreensão sobre regras partidárias, financiamento de campanha, comunicação política e segurança. Assim, a Campanha Indígena deixa um caminho organizado para a atuação cotidiana do movimento indígena.
Para nós da APOINME, essa construção faz parte de uma visão mais ampla de participação política. A democracia e a soberania se fortalecem com a demarcação e a proteção das Terras Indígenas e se realizam todos os dias nos territórios, nas decisões coletivas e autônomas dos povos sobre a gestão de suas terras e na defesa dos seus modos de vida.
É essa compreensão que orienta o Nosso Território, Nossa Vida como projeto de país do movimento indígena. Um projeto que coloca a demarcação e a proteção das Terras Indígenas no centro das escolhas sobre o futuro do Brasil, reconhecendo os povos como sujeitos políticos que cuidam de seus territórios e constroem formas próprias de viver. Respeitar essa autonomia fortalece a democracia e amplia a capacidade do país de proteger a vida e enfrentar os desafios do presente.
Aldear a política, para nós, significa levar essa visão aos parlamentos e aos espaços onde as políticas públicas são definidas, fortalecendo a força coletiva dos povos. Nós da APOINME seguiremos construindo a Campanha Indígena junto com a APIB e fortalecendo a Bancada Indígena para fazer avançar o Nosso Território, Nossa Vida como uma proposta indígena para o Brasil, orientada pelas decisões dos povos e por seus modos de viver e cuidar da terra.
Nossa caminhada parte dessa força e seguirá comprometida com ela.
>>>É tempo de aldear a política.
>>>Nosso Território, Nossa Vida.
>>>A resposta para transformar a política somos nós.
Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME)
02 de setembro de 2026 Aldeia Nazaré, Lagoa de São Francisco, Piauí
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